Sabrina Barlavento venceu um relevante prêmio literário e teve sua obra adaptada para os cinemas, mas nada disso impedia a única crítica negativa de assombrá-la. Ainda guardando o recorte de jornal que classificava seu trabalho como “Ficção de Polpa”, recebe a inusitada proposta de Rafael Perso. Desta vez, o sujeito apresentado por um aplicativo de relacionamentos não busca por sexo casual. O vigarista precisa que a renomada autora patrocine sua viagem ao norte do país.
Sabendo que Barlavento vê o mundo de forma romântica e aventuresca, Perso usa termos como “Cemitério Nazista”, “Segredos da Ditadura” e “Caçadores de Tesouro”, quando na verdade busca o local da queda de um avião do narcotráfico. Ele quer aquela carga, ela, uma história que valha a pena. Em meio a playboys inconsequentes, a traficantes internacionais e a golpistas misteriosos, a escritora se flagra imersa em um mundo de perigos, trapaças e horrores. E por mais que esteja finalmente dentro do tipo de história que sempre amou escrever, desta vez todas as dores são reais e cada enigma ameaçador.

A escritora e o golpista

corriam pelo tubo de embarque. Sem dúvidas, eram os últimos passageiros.
– Espero que não fique ofendido pela segregação, Rafa. Fiz isso, no caso de o avião rachar no ar. Assim você fica com um grupo de sobreviventes e eu com o outro!
– Quê?!
– Medo de voar?! – disse Barlavento.
– Medo de você. - disse Rafael Perso
– Já que estamos em uma caça ao tesouro, é importante que conheça alguns clichês dentro do gênero. Nesse tipo de história, se você entra em um trem, saiba que vai ter que lidar com capangas, se você sobe em um barco, uma perseguição é inevitável, se embarcar em um navio, ele vai afundar... Bom, talvez seja abordado por piratas, ou... enfim, mas se estiver num avião, humm... ele tem que cair. – Encarou o rosto ferido, ofegante e atencioso de Rafael. – Mas, pelo seu aspecto, isso tudo te parece uma terça-feira, né?
Perso sorriu meio triste, meio tímido.
– Humm... algo mais, “Sabrina Barlavento”?
– Ah, sim! Se qualquer meio de transporte moderno capotar, ele tem que explodir.
– Me perdi. Será que poderia me emprestar aquele bloquinho de notas?

Quem leu aprovou

Veja depoimentos de quem já leu essa história

Quem é o autor?

Yvis Tomazini nasceu no litoral de São Paulo em 1985, onde colecionou mil histórias vividas e outras tantas escritas. A despeito da formação em Administração, sempre priorizou a escrita acima de tudo. Certa vez, em busca de mais experiências, se demitiu de um escritório ao lado do porto para trabalhar por três anos – e três pessoas – dentro dos navios que via pela janela e que tanto davam tinta a sua imaginação. A jornada lhe apresentou dezenas de portos pelo mundo e um pouco mais sobre os limites e o ímpeto humano. Ávido estudante das estruturas narrativas, fez cursos de literatura investigativa, de roteiro voltado à curtas metragens, além de diversas oficinas de escrita criativa. Publicou seu primeiro conto em 2011, mesmo ano em que venceu em segundo lugar o 1º Prêmio Literário Professor Mário Carabajal de Poesias da Academia de Letras do Brasil de Santa Catarina com a poesia “Galo”. Mora em Santos na companhia dos navios que ainda passam pela janela.

Todos os direitos reservados © 2021